Esse é um texto sobre a vez que eu fui e nunca mais voltei.
quando me ancorei no teu peito, era pra sempre.
naquele dia, até os pássaros se calaram para que eu pudesse dizer que dali em diante, o amor suportaria tudo. você sorriu e encostou a cabeça no meu ombro, respirando fundo, como se quisesse todo aquele silêncio dentro do seu corpo e todo aquele amor correndo em suas veias.
eu nunca mais duvidei da cor do céu.
eu nunca mais deixei o vento mudar a minha direção, porque era você que me colocava no chão todas as vezes que o céu parecia querer me abrigar mais que a terra. você se fez barreira, como se me quisesse fora do alcance de toda desgraça do mundo, e toda vez que ela chegava perto e eu sangrava, você dizia que o amor suportaria tudo.
nem tudo.
na nossa última conversa, falávamos sobre revoluções e a forma como você permanece fiel a quem era no dia que me machucou pela primeira vez e eu ignorei a dor por ela ser minha e não sua. falávamos das guerras e dessa coisa que elas têm de separar, e destruir e matar. e a forma como você me destruiu.
as minhas portas e janelas agora encontram-se fechadas, a luz incomoda a minha visão e a cozinha tem o cheiro da tua existência. os pássaros que se calaram já não aparecem mais por aqui. por isso eu vou. porque o silêncio agora me assusta. as partículas de amor que circulam no meu sangue, me odeiam. e elas seguem pulsando: “o amor suportaria mais um pouco!”
e eu sigo com essa coisa que restou.
dentro, fora.
porque quando eu me ancorei no teu peito,
era pra sempre.
(Letícia Silva - Deprimentes)
ironia foi eu me sentir presa a você na praça da liberdade,
em belo horizonte
enquanto me questionava o porquê de ainda me sentir parte de algo
que precisou seguir como tinha que ser:
cada qual pro seu canto.
e aí eu me lembrei de quando lhe dei o poder de me amar,
e você me amou.
mas também deixou as minhas fraquezas e medos expostos a olho nu
para qualquer um que passasse, escolhesse não ficar.
mas eu sou grata
porque toda vez que me sinto menos humana e empática
olho pra tudo isso feliz por ainda sentir algo,
mesmo que com a capacidade de fazer isso por nós duas.LETÍCIA SILVA
honey, teus olhos castanhos são o esboço do paraíso. não me peça para fugir disso











